Migração & Memória

Bom dia senhores e senhoras,

Me sinto muito feliz estar aqui com todos vocês. Fazendo parte desse evento promovido pela Associação Holandesa de Não-Me-Toque. Com muito honra e gratidão a Associação, em especial a sua presidente Teodora Souilljee Lütkemeyer, dirijo a palavra a todos e todas nesta comemoração dos setenta anos de imigração holandesa em Não-Me-Toque. Especialmente porque a minha pesquisa chamada Migração & Memória quer refletir sobre momentos como este; descendentes holandeses, migrantes entre dois mundos, celebram fatos de setenta anos de história, pessoal e collectivamente.

As perguntas que tento responder são: o que e lembrado e como e lembrado? E principalmente qual o significado desta memória? O que vocês migrantes holandeses lembram, o que migrantes holandeses que retornam a Holanda contam, e de que forma estas memórias são cultivadas, que cerimônias e rituais são celebrados, que monumentos sao erigidos, o que vai para os museus? De que forma cada um e o collectivo dão significado, pois cada um deve conviver com as propias memórias.

Bem! Não vou me alongar. Vou contar uma pequena estória. Jan van Houts, um holandes que viveu no Brasil e retornou a Holanda, foi entrevistado por mim em 2010 em sua casa em Deurne, Holanda. Quando visitei sua esposa Miet van Houts-van Riel em 2012, um mês após a morte do marido, ela me deu um santinho, como lembrança dele. Ela falou: “Dat blijft trekken uit Brasil, hè. We zijn net een familie en bij begrafenissen zien we elkaar altijd weer terug.” Traduzindo: “Isto do Brasil isto nos atrai. Nos somos como uma familia e em velorios nos nos vemos sempre de novo.“

E naquele santinho e na frase que ela me disse descortinou-se para mim a forma como um migrante era lembrado e em que comunidade era lembrado. Desde então tenho já quase duzentos migrantes entre Brasil e Holanda registrados desde 1948 – fundação de Holambra – cada um com um santinho. Todos estes santinhos formam, junto, um livro vivo da vida já passada, constituindo uma memória viva para individuos e a comunidade presente, minha esperança, para a comunidade do futuro, herdeira das memórias que queremos passar.

(Toespraak bij het jubileumfeest 70 jaar Nederlandse immigratie in Não-Me-Toque op zondag 25 augustus 2019, met dank aan mijn achternicht Maria Elisabete Haase-Möllmann voor haar hulp bij de vertaling naar het Portugees:-)

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